As instruções básicas foram dadas e começou o Nobre Silêncio. Assim mesmo, com letras maiúsculas. Nenhuma palavra deveria ser trocada entre os participantes. Para imprevistos absolutamente inadiáveis tínhamos o Gregory, o gerente masculino, com quem deveríamos falar apenas o imprescindível. E assim tudo começou. O programa básico era o seguinte:
04:00-- ---------------- Chamada
04:30-06:30 ----------- Meditação na sala ou no quarto
06:30-08:00 ----------- Desjejum e descanso
08:00-09:00 ----------- Meditação em grupo na sala
09:00-11:00 ----------- Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
11:00-12:00 ----------- Almoço
12:00-13:00 ----------- Descanso e perguntas individuais com o professor
13:00-14:30 ----------- Meditação na sala ou no quarto
14:30-15:30 ----------- Meditação em grupo na sala
15:30-17:00 ----------- Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
17:00-18:00 ----------- Lanche e descanso
18:00-19:00 ----------- Meditação em grupo na sala
19:00-20:15 ----------- Palestra do professor na sala
20:15-21:00 ----------- Meditação em grupo na sala
21:00-21:30 ----------- Perguntas abertas na sala
21:30 ------------------ Repouso. Apagam-se as luzes
Logo após as instruções iniciais já descemos pra sala de meditação pra primeira sessão do curso. A sala é um galpão de uns 10x20 metros, com um madeiramento lindo sustentando o telhado, paredes de tijolinhos, chão de tacos limpos com esmero cirúrgico, uma divisória entre os lados dos homens e das mulheres que obviamente usavam entradas separadas, bem arejada, paredes em todas as janelas, pouquíssima luz artificial, uns 25 tapetinhos de 0,60x1,20m de cada lado da sala, um pra cada aluno (ado, ado, ado, cada um no seu quadrado), e umas 80 almofadas de toda sorte, tamanho, fofura e cor, espalhadas no fundo da sala. Pô, mas eles não mandaram trazer almofadas? Pra que isso tudo? Que exagero, pensei. Nesse momento eu ainda não sabia como seriam poucas aquelas almofadas...
Ainda na noite do Dia Zero foi dada a primeira das orientações técnicas e filosóficas da meditação, que são sempre dadas em áudio pelo próprio S. N. Goenka, na sessão em grupo das 19h às 20h15. A técnica que aprendemos nessa sessão do Dia Zero foi o anapana, que é simplesmente observar a respiração, sem interferir, concentrando-se no ar que entra e no ar que sai. Minuto após minuto, hora após hora. O ar que entra, o ar que sai. Da maneira que entra, da maneira que sai. Sendo o mestre indiano, o inglês tb tem aquele indefectível sotaque que eu acho engraçadíssimo, o W com som de V, o R bem puxado, etc. No começo tive que me controlar pra não rir, no 2o dia já tinha que me controlar pra não ficar puto. Ô, mente reativa!
Tô empolgada com sua aventura, muito corajoso vc, parabéns! Não vejo a hora de ler o próximo capítulo :)
ResponderExcluirAcabei de ler esse seu dia zero.
ResponderExcluirE vi o cronograma. Desjejum e descanso.
Descanso de que, por misericórdia?! Só se for de ter acordado as 4 da matina.
Mas tudo bem, ainda vou ler os outros dias. Talvez tenha uma boa explicação.
: )
LuFri
Me inscrevi e fui aceito nesse curso.
ResponderExcluirApesar de ficar apenas sentado, trabalhar com a mente cansa demasiadamente.
Tente sentar e ficar 20 minutos apenas observando sua respiração (e voltando a respiração toda vez que se distrair com seus pensamentos).
Vai perceber que ficar por cerca de 10 horas assim, cansa bastante...rsrsrs
Oi!
ResponderExcluirComeço o curso de Vipassana no dia 24/03. Antes de ir resolvi me informar um pouco e terminei achando o teu diário. Antes de tudo, quero dizer que foi uma leitura muito divertida, muito mesmo. Mas também foi dolorosamente reveladora (ai, minhas costas!) do que devo encontrar pela frente. Uma sugestão que anotei para não esquecer de jeito nenhum: roubar aquelas 150 almofadas todas para mim logo no início; e encostar na parede imediatamente, sem pedir licença ao tal bedel.
Como você, também vou ao curso por sugestão de amigos queridos, gosto de programas de índio (com algumas ressalvas em relação a banheiros) e, o mais importante, estou em fase de transição pessoal - o que significa que experiências assim, diferentes de tudo o que eu já fiz na vida, estão me atraindo como imã de geladeira.
Também como você, não tenho um objetivo claro a ser atingido lá dentro. Não tenho a pretensão de sair de lá zen, como é o meu grande sonho de consumo, o dever de casa que elegi. Não, isso ainda demora - se é que acontecerá algum dia, pois venho é me tornando cada vez mais inquieta. De qualquer modo, tenho a esperança de, quem sabe, iniciar em Miguel Pereira um processo de... chamemos de auto-reformatação, de reinvenção pessoal. Quem sabe, não é?
Te conto quando acabar, se eu sobreviver e você quiser me ouvir, naturalmente.
É isso! Um beijo e boa noite!
Rejane
PS. A propósito: eu acho que você grafou "fudeu" errado. Pensa bem: é foda, não é fuda.
Parabéns, Rejane! Conte sim, é sempre bom ouvir e trocar experiências. Mas temo que vc não sobreviva e sim volte outra pessoa ;-)
ResponderExcluirO "fudeu" foi uma coisa meio onomatopéica, no Rio a gente não fala "fô-deu". Palavrões à parte, vc está certíssima.
Valeu! Aproveite bem o retiro!