Alheio ao mundo externo, saí de casa pra ir ao aniversário de uma amiga querida na Barra da Tijuca. Dia ensolarado, feriado, trânsito vazio, dia perfeito pra curtir de vidros bem abertos aquele trecho com asfalto razoável e sem sinais de trânsito entre o Túnel Acústico e a saída do Elevado do Joá e chegar ao aniversário parecendo um urso punk num bad hair day. Entrei no carro, pedi The Wind Cries Mary ao Jimi Hendrix, Ray Ban no focinho, abri os vidros e saí da garagem me achando o Steve McQueen.Ledo engano. Logo ao sair do portão do prédio deparei-me com um trânsito infernal. Ou seria celestial? Fato é que hoje, 21 de Abril de 2010, feriado de Tiradentes e Guarda Municipal de folga, programou-se um mega evento evangélico na enseada de Botafogo. Milhares de crentes de todas as partes do Rio convergindo em carros e ônibus fretados ao mesmo tempo e para o mesmo lugar. Aproveitando a ausência dos homenzinhos de marrom, os motoristas - ateus e religiosos - exibiam todo o rosário de estupidez da espécie humana.
Logo no primeiro cruzamento vi que minha vida não seria nada fácil. Uma fila ininterrupta de uns 20 ônibus fretados para o evento ignorava solenemente a faixa quadriculada no chão e fechava o cruzamento, sinal verde após sinal verde. De vez em quando um carro mais ousado passava apertado, devidamente vaiado pelos eufóricos habitantes dos ônibus que cantavam aleluias, conversavam, riam, animados e felizes, alheios ao caos instalado.
Na minha frente ia um Peugeot preto novinho e eu percebi o exato momento em que o motorista surtou. Começou a acelerar, buzinar elouquecidamente, avançar o carro temerariamente pra cima dos ônibus, piscar farol alto, gesticular com o braço pra fora da janela, um verdadeiro dia de fúria. Os passageiros dos ônibus foram todos pras janelas do lado direito vaiar o motorista possuído. "Calma, apressadinho! Playboy tem que esperar os filhos de Deus passar! (sic) Tá com pressa, vai pescar! Ora que melhora! O Senhor abre o Mar Vermelho para os filhos de Israel, vai ter que esperar" e outros apupos impublicáveis cujos emitentes, quero crer, certamente não eram evangélicos. Lá pelas tantas o transtornado motorista conseguiu romper a quase impenetrável barreira e passou espremido entre um ônibus e outro, cantando pneus, raivoso. Aproveitei a oportunidade pra passar também e então vi a cena que marcou meu dia.
O teto solar do Peugeot se abriu, um braço peludo surgiu fazendo aquele sinal de heavy metal e uma voz cavernosa bradou de dentro do carro: "SATANÁÁÁÁÁÁÁÁS!"
Os crentes todos se afastaram das janelas, horrorizados. E não sei se fiquei impressionado demais mas quando olhei de novo pra frente o Peugeot tinha sumido.
Logo no primeiro cruzamento vi que minha vida não seria nada fácil. Uma fila ininterrupta de uns 20 ônibus fretados para o evento ignorava solenemente a faixa quadriculada no chão e fechava o cruzamento, sinal verde após sinal verde. De vez em quando um carro mais ousado passava apertado, devidamente vaiado pelos eufóricos habitantes dos ônibus que cantavam aleluias, conversavam, riam, animados e felizes, alheios ao caos instalado.
Na minha frente ia um Peugeot preto novinho e eu percebi o exato momento em que o motorista surtou. Começou a acelerar, buzinar elouquecidamente, avançar o carro temerariamente pra cima dos ônibus, piscar farol alto, gesticular com o braço pra fora da janela, um verdadeiro dia de fúria. Os passageiros dos ônibus foram todos pras janelas do lado direito vaiar o motorista possuído. "Calma, apressadinho! Playboy tem que esperar os filhos de Deus passar! (sic) Tá com pressa, vai pescar! Ora que melhora! O Senhor abre o Mar Vermelho para os filhos de Israel, vai ter que esperar" e outros apupos impublicáveis cujos emitentes, quero crer, certamente não eram evangélicos. Lá pelas tantas o transtornado motorista conseguiu romper a quase impenetrável barreira e passou espremido entre um ônibus e outro, cantando pneus, raivoso. Aproveitei a oportunidade pra passar também e então vi a cena que marcou meu dia.
O teto solar do Peugeot se abriu, um braço peludo surgiu fazendo aquele sinal de heavy metal e uma voz cavernosa bradou de dentro do carro: "SATANÁÁÁÁÁÁÁÁS!"
Os crentes todos se afastaram das janelas, horrorizados. E não sei se fiquei impressionado demais mas quando olhei de novo pra frente o Peugeot tinha sumido.
Só o Senhor tira o tranca rua das pessoas! xD
ResponderExcluirPensei que vc diria que os ônibus tinham sumido! rs
ResponderExcluirSaravá.
ResponderExcluir